Todas juntas :)

Sabe filha, eu aprendi a ser mãe com você, aprendi a ser mulher também. Com 21 anos deixei a adolescência pra trás entre o meu último grito de dor e seu primeiro choro de vida. 47 centímetro e meu maior medo era tropeçar e deixar você cair, e hoje meu maior medo é me acomodar e não lutar por um mundo melhor pra você. Um dia você vai entender que o que as enfermeiras fizeram com a gente, não pode! Tem uma luta linda de conscientização e humanização no parto. Você não vai aceitar ninguém te desrespeitando, isso não quer dizer que você deva desrespeitar de volta ok? Ninguém vai ditar as suas regras, você vai (se quiser) amamentar em público sem toalhinhas tapando, igual era com a gente.
Filha, você vai ser mulher, mas desde já vai aprender que homem nenhum tem o direito de te bater, isso não é amor! Ninguém tem o direito de te ameaçar, se isso acontecer, faça a sua voz ser ouvida.
Não deixe ninguém quebrar as coisas da sua casa, não fique com medo de algo te acontecer. Eu sei que você lembra de várias coisas da nossa vida e te digo novamente, aprendi a ser mulher forte com você e tô aqui junto a tantas outras dando voz a seu futuro: #nenhumaamenos porque #mexeucomumamexeucomtodas . Nenhum tipo de violência passará novamente, psicológica ou física. Tô aqui levantando uma bandeira, por mim, por nós.
Seu irmão aprenderá a respeitar, porque aqui nenhuma forma de desrespeito passará em branco, NUNCA MAIS!

Filha, o mundo é bom, o mundo é cheio de possibilidades e responsabilidades. Tô aqui hoje lutando por isso e sei que logo menos você dará a mão pra mim nessa caminhada 17759932_1330726107012757_797996476093393344_n

Brincar livre, sem rótulos.

Vem cá, deixa eu te contar uma coisa: aqui menino brinca de princesa e menina de super herói.
Menino lava a louça e menina conserta brinquedo.
Menina joga bola e menino brinca de boneca.

Menino pode ter cabelo comprido e fazer um rabo de cavalo. Menina pode ter cabelo curto.

Aqui o brincar é livre. Aqui a gente ensina que as obrigações da casa são para os dois, divisão justa.

Aqui nessa casa menino lava os calçados e arruma a cama. Nessa casa menina aprende a apertar parafusos e a trocar lâmpadas.

Aqui menino brinca de carrinho e menina de chef de cozinha.

Isso pra provar pro mundo que os meios não modificam os fins. Que Lucas não vai ser um marido machista que acha que os afazeres de casa são para a mulher, que ele vai ser um ótimo pai presente e participativo e não vai merecer medalhas por isso, que isso é normal. Luísa vai aprender que ninguém precisa impor que ela use saia se ela quer usar calça, que ela pode ser engenheira e se precisar carregar saco de cimento, vai também. Lu vai entender que filho é não é sobrecarga e que vai saber, mesmo sem ter vivido isso, que presença vai além de ligações e dinheiro na conta no início do mês.
Eles vão entender o que é um mundo equilibrado e que pode ser sim igual.
Sem PRÉ conceitos ditados por uma cultura que estamos modificando.

Tô aqui cuidando pra que sejam pessoas de bem, pro bem. Porque você já sabe né? Um dia eles podem cruzar na rua com os seus e desejo que o respeito seja mútuo.

Beijo nosso

 

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Parto da Lu :)

Novembro é o mês da Lu, e o face vai me trazendo algumas recordações… essa era a Lu no forninho, com quase 9M.

8 anos se passaram e eu lembro de cada segundo do nascimento dela, lá atras pouco de falava sobre violência obstetrícia, mesmo eu participando de grupos de mães, eu não tinha muito acesso às informações. Eu sofri violência, psicológica, violência física.
Cheguei ao hospital, me internaram e me deixaram de lado em um chuveiro. Minha primeira filha, 21 anos, numa cidade que não era a minha. Cheguei a meia noite no hospital. As 2:45 me colocaram em uma sala fria, eu pedia pela minha mãe mas não deixavam ela entrar, eu suplicava. Entre uma contração e outra eu dormia. Pedia pela minha mãe, meu ex marido tinha a lei impressa e pedia para entrar, sem sucesso. Fiquei lá sozinha.. uma enfermeira que não estava tão feliz vinha e fazia o toque.. remédio na veia. E eu sozinha novamente. Vem outra enfermeira, e começa a falar, já vai nascer mãezinha. Senta a enfermeira não tão feliz na minha frente, pede pra eu fazer força, enquanto uma empurra minha barriga, eu chorando, a outra não tão simpática pega a tesoura e pic pic pic. E nisso me pedem para fazer força que a bebê estava a caminho.. nasceu! E aquele bebê cabeludo de 2800kg as 3:55 veio pro meu colo. Eu e ela. Sozinhas. Aquele pic pic pic me rendeu 10 pontinhos. Sozinha na maca nos empurraram até o quarto, onde ficamos até as 11:09 da manhã sozinhas.. queria um banho, queria minha mãe, queria fugir dali com a minha filha. Sobrevivemos, mas sobreviver não é viver.. fiquei feliz em chegar em casa, minha cama, minha família. Aquilo para mim acabou se tornando normal, achei que fosse assim. Mas não era, não é. Não deixem de exigir seus direitos. Não deixem de ter afeto e amor nessa hora. Não deixem que tornem verdade o que não é.
Eu “dei sorte”, foi rápido. Eu “dei sorte” não fiquei com uma depressão pós parto. Eu “dei sorte” porque fui mais forte que eles. E dei mais sorte ainda, pois a bebê que chegou era meu amuleto, era não é! E toda essa força de outro mundo, passou pro cordão umbilical e fez aquela bebê ser a menininha de luz que vocês já conhecem!

 

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Susto de vida!

Fomos à feira de artesanato hoje. Voltamos, descemos do taxi. Domingo não tem movimento né? Descemos na esquina de casa, e os segundos mais intermináveis ocorreram. Lucas soltou a minha mão e correu na faixa para atravessar a rua, eu olho pro lado e vem um carro. Eu paralisei, os momentos passavam quadro a quadro, meu coração parou, e gritei. O carro parou 3 cm antes, Lucas parou, o mundo parou ao meu redor. Não conseguia me mover, meus pés não me pertenciam mais, meu corpo não pertencia a minha mente. Consegui pegar ele no colo, falar algo como desculpa e obrigada pro motorista (que vinha dirigindo devagar ) e andar, tremendo, Lucas chorando sem parar e pedindo desculpa, eu de óculos chorando em silêncio. Destruída. Segundos, centímetros separaram de algo que não consigo nem falar.
Aconteceu aquele momento em que passa um filme na sua frente e você se pergunta: por que? Aquele momento de revisão que te lembra que essa vida é tão preciosa e você está usando ela pra que? Por que eu fui designada a ser mãe dos meus? O que tô fazendo aqui? Por que eu ando criando expectativa onde não tem o pq? Deixando passar horas dessa única vida sem aproveitar o que eu tenho na minha mão. Acordei e o ☀️ tava lá fora. Eu tava cansada, queria passar o dia dormindo.. pq? Por quem? Sabe aquilo de aproveitar cada segundo!?!? Sabe o por que de reclamar menos? Sabe o por que de amar mais? Sabe o por que de jogar menos com as pessoas? Sabe o por que ser simples? De coração, de alma. O porque disso tudo tá aí, “a vida é tão rara” . Tão frágil, pq então estar vivendo algo que não te faz feliz? Estar longe de quem você ama? Por que a gente luta tanto por coisas e deixa os outros valores de lado?!?
Gratidão por ter sido um grito, um susto e que pude pega-lo no colo e trazer pra casa. Gratidão pelo mundo ter parado. Gratidão pelos questionamentos e que você não precise levar um susto pra viver diferente, tô aqui contando isso pra vocês fazerem as pazes com quem se AMA. HOJE! Para olharem ao redor e enxergar a VIDA passando e VIVER de bem com ela.
Um beijo com muito amor e carinho

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Verdinhos..

Sobre a importância das crianças tocarem nos alimentos, sentirem o cheiro. Laranja não vem em caixinha, tomate não vem em latinha. Deixem eles descobrir a explosão de sabores, aguçarem o paladar. Faça 10 vezes o mesmo alimento de forma diferente, ai sim ele pode falar se gosta ou não.
Mantenha o contato com a natureza, se sujar é só limpar, vá a feiras! Sempre falo isso, sempre falarei. Vocês sabem que o Lucas tem passado uma fase pesada sobre os temidos verdinhos, mas pra felicidade geral da nação ele está aprendendo a experimentar, não é fácil e as vezes da vontade de tirar a comida de perto, chora, diz que não quer, que não gosta.. mas a gente não desiste, sabe por quê? Porque é muito mais fácil ensinar a se alimentar do que ensinar os horários de tomar remédio. É muito melhor a gente ficar cansada testando receitas do que ficar cansada levando em médicos. Não ache que não vai acontecer nada, que por você ser um sobrevivente seu filho também vai passar de boa. São outros tempos, outras químicas, outros venenos. Tudo é em excesso de pacotes e caixinhas. Faça ao contrário. Diminua o que não faz bem. Criança não sente falta do que não conhece. Nós conseguimos aqui, em passos de formiguinha, estamos nos ajeitando. Isso não é viver numa bolha, isso é manter o equilíbrio. Até um momento que irão oferecer algo que não é do bem, e eles terão autonomia e discernimento para dizer: Não. Não gosto, não quero, para algo que realmente faz mal. Comece agora, não espere algo bater na sua porta e te obrigar repentinamente a mudar os hábitos, isso não vai ser uma transição fácil e vai doer muito mais.

Equilibra aí.. vai dar certo! Confia em mim.

 

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Tem criança na cozinha

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Aqui tem menina na cozinha. Tem menino também! Luísa tem algo especial, um interesse, um feelings.. eu ACHO que ela já fez a escolha da vida dela, eu sinto. Gosta de aprender, de ler, assistir. Amou ir comigo num workshop. Lucas gosta de ajudar mas logo deixa pra lá. Mas ele está sempre aí de olho. Não estamos ensinando práticas de cozinha, arte de colocar amor ❤️ nos pratinhos por acaso. Cada um vai escolher o futuro que quiser. Cozinheira ou Advogada. Professora ou Médica. Administrador ou Artesão. Músico ou engenheiro. A decisão é deles, mas com essa base na casa deles o alimento vai ser tratado como prioridade. Quero estar tranquila quando eles forem voar pra fora do ninho. E pra isso não precisa de grandes técnicas da culinária francesa, precisa de vontade e carinho.

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Crianças gostam de brincar. Gostam de novidades, sentir, plantar. Tudo começa com a sementinha na terra, adubo, regar e cuidar com amor. O alimento e nossas crianças também. Comida é afeto, é reunião em casa, são amigos. É inclusão. É respeitar as diversas diferenças. O que a gente quer? A gente quer diminuir pacotinhos coloridos, diminuir caixinhas de super heróis e valorizar quem realmente coloca um produto que cuide da gente por dentro, sabe por quê? Pra ter saúde e felicidade por uma vida toda e poder receber com carinho às pessoas em volta da mesa de casa. Da minha, da sua ou da deles. E também pra promover ajuda a quem não tem isso, diminuindo custos e mostrando que é possível uma vida “in natura”. Isso promove menos pessoas doentes, menos remédios vendidos, menos filas de espera na rede pública de saúde, menos hospitais lotados, produtores locais valorizados e um planeta em equilibro. EQUILÍBRIO.
Uma rede do bem

beijos

 

Tempo de mãe

Day meio off. Pra mim.
Votei e fomos todos ao mercado. Voltei preparei o almoço. Depois passeei, com uma amiga, sem gritos, sem choros, sem mil pedidos, fui ao cinema ver o Bebê da Bridget! Vi uns quadrinhos que sempre quero comprar ali numa kombi na lagoa, olhei um por um.. no fim não levei nenhum. Mas me fez bem.. ler: GRATIDÃO, PAZ, FÉ. Esses que me chamaram a atenção..
De volta à rotina mais louca após um breve suspiro. Preparar bolo pro café da manhã, pedir 50 mil vezes pra Lu tomar banho.. pedir pro Lucas tirar a colher suja de açaí que deixou na minha cama.
Consegui que a Luísa fosse pro banho (amém senhor)  Lucas comendo maçã do meu lado na cama e eu aqui.. escrevendo pra contar pra vocês, que a gente precisa de uns minutos off, minutos sem ter que decidir algo importante, sem ter que ficar correndo atrás de criança. A gente sobrevive, a gente VIVE. Às vezes pira, às vezes sai sem pentear o cabelo. Eu nem sei como dou conta em tantas outras milhares de vezes. Acabando o domingo respirando fundo e agradecendo todos os momentos por aqui, estamos juntos, prontos pra dar play na segunda e só parar sabe-se lá quando.. mas assim, pra essa semana minha meta é reclamar menos, e quando me pegar fazendo isso voltar e refazer a frase.. só tenho essa vida! Esses instantes.. que se tornem leves.. tô feliz em viver. Feliz em compartilhar..

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